As desigualdades sempre me irritaram. Meu Buraco de Minhoca é uma lugar cheio de injustiças.
E daí?
Daí que nada. As leis existem onde as pessoas querem que ela exista. E aqui as leis não são as escritas.
Na verdade, tudo o que acontece aqui, também acontece em qualquer parte do planeta, em qualquer cidade do universo. Só que aqui é pequeno e dentro de um vale, geograficamente estamos inseridos em uma grota de paredes altas. Portanto as histórias ecoam, reverberam e aparecem. Todos os poucos habitantes discutem. A vida de um é a vida de outro e a transformação de sociedade civilizada cheia de leis em um caos ordenado, onde todos cuidam da vida de todos e a necessidade das leis se defez. Não por imposição. Mas pela naturalidade das discussões e da vivência, que afastam o fiel cidadão da lei.
Na verdade, sempre quis continuar estudando. Achei que tinha parado. Parei com o estudo das serpentes. Hoje, estudo comportamento humano.
Como ele pode mudar tão rápido?
Qual a capacidade do ser humano em adaptar-se a situações tão diferentes?
Até onde vai a imaginação humana?
Posso satisfazer todas as minhas vontades e não pensar no outro?
Quanta mentira posso contar até que descubram a verdade?
Como tantas pessoas e mentiras são necessários para manipular uma pessoa?
Quanto eu posso fingir que sei até descobrirem que nada sei?
E a minha preferida:
Por quanto tempo uma pessoa pode cuidar da vida dos outros e não da sua própria?
São perguntas que diariamente ecoam em minha cabeça vendo ações de outros.
Observo.
Penso.
E tento levar minha vida, também com as minhas leis.
Lembrei da religião de um mandamento do meu amigo: não faça para/com o outro o que você não quer para você.

