domingo, 9 de dezembro de 2012

Maioridade e a maldade


Pensando no sofá.

Os noticiários divulgam suas matérias com suas diferentes abordagens. Mas todos os canais divulgam constantemente notícias de menores cometendo (?) delitos, infringindo a lei.
Defendem enfaticamente e mudança do Estatuto da Criança e do Adolescente, e percebo que todas as camadas da sociedade pedem a tal da redução da maioridade.
Na prática, acredito que seria mais ou menos assim: praticou o ato ilícito, as penalidades da lei são aplicadas, sem restrições, a partir dos 16 anos e não dos 18 anos, como a lei vigente.

Mas a verdade é tão mais complexa, filosófica e reflexiva.

Não são os jovens que cometem crime mais cedo. A sociedade sempre foi e sempre será reflexo de si mesma.
Muitos animais, inclusive os mamíferos, aprendem a ser adultos observando seus adultos. Também com brincadeiras, situações de estresse, ouvindo não. Mas principalmente observando o comportamento dos pais e familiares (clãs). Posteriormente, aprendem também convivendo com grupos semelhantes e grupos distintos. Nessas relações observamos os comportamentos que irão proporcionar memórias e, também e até (porque não), emoções.

Memória, grosseiramente, é a gravação no nosso cérebro de alguma experiência vivida. Quando estamos vivendo uma experiências, os estímulos percorrem os neurônios por um caminho. São milhões de neuronios e infinitas possibilidades. Memória é refazer exatamente o mesmo caminho. No mundo das hipóteses (sou nova nisso), aprender é fazer com que o nosso cérebro seja reflexo de outro cérebro, como um ESPELHO.

O jovem é sim responsável pelo que faz, mas a questão não é reduzir a maioridade, mas entender que o comportamento violento do jovem é reflexo da sociedade que esta inserida. O comportamento do jovem é resultado dos comportamento dos adultos. E esse ciclo seguirá até que a sociedade pare, de alguma forma, esse comportamento.
Esse 'de alguma forma' é o X da questão, ninguém sabe. Mas nos mostraremos realmente evoluídos se soubermos dialogar e ponderar.

E temos que aceitar que não aceitamos sermos corrigidos. Mudar é uma palavra que tem peso em nossas vidas e culpa é uma herança cristã pesada, praticamente um fardo. Junte vaidade. O nome desses pecados para a evolução seria freio. Em qualquer idade. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Dois cafés e as férias, por favor


Acabei de descobrir, não na internet, que o paulistano, moradores da cidade de São Paulo passam, em média, 27 dias no trânsito por ano!

Como assim? Isso é quase um mês de férias!

Férias: aquele tempo que merecemos depois de trabalhar durante um ano. Não importa se é trabalho ou emprego, não importa se a profissão trás felicidade. Só não tem direito as férias o trabalho escravo e dona de casa. 

E o paulistano? Na verdade, as férias de quem mora em São Paulo e vive preso no trânsito é um desconto! É um pedaço da vida devolvido. Por isso, essas pobres pessoas mereciam duas férias!

Onde eu trabalho, perto de uma colina Hobbit, sempre conversamos sobre o que faríamos se ganhássemos muito dinheiro, como uma loteria, bilhete premiado ou feijões mágicos. 

Nessas conversas percebo as pessoas longe, imaginando.... e poucas dizem o que realmente fariam. Com milhões, alguns dizem que continuariam trabalhando...escuto muito a frase : muito tempo sem fazer nada, cansa. 
Nessa hora, ouço uma voz interior: será? Acho que não, hein...ficar sem fazer nada deve ser uma delícia!

Mas quer saber? Cansada como eu estou, assistindo todas aquelas pessoas atulhadas dentro de um ônibus em São Paulo, transporte de carga.
Some aí também uma descrença na humanidade e um toque de pânico super normal pré apocalíptico, hoje, com pouquíssimo dinheiro, dois milhões, eu ficava uma vida sem fazer nada.