Pensando no sofá.
Os noticiários divulgam suas matérias com suas diferentes abordagens. Mas todos os canais divulgam constantemente notícias de menores cometendo (?) delitos, infringindo a lei.
Defendem enfaticamente e mudança do Estatuto da Criança e do Adolescente, e percebo que todas as camadas da sociedade pedem a tal da redução da maioridade.
Na prática, acredito que seria mais ou menos assim: praticou o ato ilícito, as penalidades da lei são aplicadas, sem restrições, a partir dos 16 anos e não dos 18 anos, como a lei vigente.
Mas a verdade é tão mais complexa, filosófica e reflexiva.
Não são os jovens que cometem crime mais cedo. A sociedade sempre foi e sempre será reflexo de si mesma.
Muitos animais, inclusive os mamíferos, aprendem a ser adultos observando seus adultos. Também com brincadeiras, situações de estresse, ouvindo não. Mas principalmente observando o comportamento dos pais e familiares (clãs). Posteriormente, aprendem também convivendo com grupos semelhantes e grupos distintos. Nessas relações observamos os comportamentos que irão proporcionar memórias e, também e até (porque não), emoções.
Memória, grosseiramente, é a gravação no nosso cérebro de alguma experiência vivida. Quando estamos vivendo uma experiências, os estímulos percorrem os neurônios por um caminho. São milhões de neuronios e infinitas possibilidades. Memória é refazer exatamente o mesmo caminho. No mundo das hipóteses (sou nova nisso), aprender é fazer com que o nosso cérebro seja reflexo de outro cérebro, como um ESPELHO.
O jovem é sim responsável pelo que faz, mas a questão não é reduzir a maioridade, mas entender que o comportamento violento do jovem é reflexo da sociedade que esta inserida. O comportamento do jovem é resultado dos comportamento dos adultos. E esse ciclo seguirá até que a sociedade pare, de alguma forma, esse comportamento.
Esse 'de alguma forma' é o X da questão, ninguém sabe. Mas nos mostraremos realmente evoluídos se soubermos dialogar e ponderar.
E temos que aceitar que não aceitamos sermos corrigidos. Mudar é uma palavra que tem peso em nossas vidas e culpa é uma herança cristã pesada, praticamente um fardo. Junte vaidade. O nome desses pecados para a evolução seria freio. Em qualquer idade.