Ontem estive em São Paulo. Sou menina do interior e moro, como já dito aqui, em um Buraco de Minhoca.
Nunca morei em São Paulo, mas por mais motivos do que seria capaz se escrever aqui, sempre visitei São Paulo. Sempre que consigo, uso transporte público para ficar olhando pela janela, tentando entender a cidade grande. Coisa meio boba. E já vi de tudo.
Uma vez, madrugada, peguei um taxi e o motorista era o Travis Bickle. Ele estava contando alguma história e eu maravilhada de estar ao lado dele. Passamos embaixo do Minhocão, havia água nas poças da chuva da noite anterior e eu tomei um banho! Literalmente! A água entrou pela janela, horizontal. Irreal! Mas quando limpei os olhos, Travis estava rindo.
E ontem encontrei outra pessoa. A Sra. Crack. Ela é onipresente. E me desculpem a heresia, mas se faz mais perceptível do que o outro ser onipresente que eu conheço.
Mesmo quando ela não estava dentro de um cachimbo, era possível ver o seu rastro de destruição e degradação do ser humano.
Ao lado das igrejas, nas escadarias, em todas as esquinas, em parques. Andei na região central e não consegui identificar um metro quadrado sem a Sra. Crack olhando sorraterairamente .... Percebi um leve sorriso em seus lábios.
