Não falando de casos estranhos presentes na atual sensacionalista mídia, mas tentando provar que tudo começa aqui, nesse vórtice temporal, tem o caso de Sebastião Cadela. Vivia debaixo da ponte de concreto com quinze cães grandes, andava para cima e para baixo com os cachorros atrás, contava piada e era cigano.
Ele e os cachorros, pela cidade até a ponte, da ponte para a cidade. A ponte fica em umas das estradas não civilizadas, ou seja, de terra.
Acontece que o Bastião Cadela envelheceu e aqui começou a chover, chovia forte, chovia e o Bastião Cadela debaixo da ponte. Parou a chuva, dias depois. Mais uns dias e nada do Bastião. Até que começam a procurar debaixo da ponte, que apesar de ser de não estrada, lá um mundo existe de cachorros. Sebastião Cadela gostava de cana e cigarro, passou mal, chuva, morreu, debaixo da ponte. Os cachorros, todos grandes, começaram com um comportamento típico de mamíferos carnívoros. Começam a mexer no membro da matilha que não se move, puxam com a pata, mordiscam ... até que saí sangue, vira filme de terror e o Bastião vira comida de cachorro, o Cadela foi comido.
Acharam tudo dele, em pedaços espalhados por debaixo da ponte, na beira do rio. Menos um braço, da altura do cotovelo até os dedos.
Dizem por aqui que não se deve passar pela ponte a pé, principalmente à noite. Pode aparecer uma mão, andando atrás de você, correndo nos cinco dedos, procurando sabe-se lá o que.
Além deste, outra historieta fantasmagórica. Quando a linha não opera entre Monteiro Lobato e São Francisco na madrugada, o viajante sem mais opções caminha pela madrugada. Aparece um caminhão de leite e oferece carona, na boleia, junto com os garrafões de leite. Quando o viajante tenta puxar conversa, o caminhão já esta no portal do distrito, viajante entregue. Se der sorte é deixado na porta de casa ou sítio.
