quinta-feira, 27 de maio de 2010

As coisas são muito mais fantásticas nas nossas mentes

Ando percebendo muitas coisas nas pessoas, detalhes de personalidade que acabam por me deixar deliciada com a ignorância humana, tão inteligente e consciente de si mesma.
Conheci um moço aqui muito falante, gesticula muito, esta em todos os lugares e em todas as histórias. Todo mundo conhece, todo mundo sabe quem é e por aí vai.
Somado ao fato que, às vezes, eu me sinto em alguns lugares diferentes, Macondo, Terra do Nunca ou em um vórtice temporal, menos aqui onde estou, quando eu saio com o moço falante para participar de alguma atividade altamente educativa esse sentimento só aumenta e foi convivendo com ele que aprendi a desencanar, onde estou e quem sou eu ou até mesmo o que eu vim fazer aqui, as perguntas básicas da nossa insignificancia, e apenas ir.

Ponto Geográfico

Por calendários perturbados da educação, ano passado fiquei no ócio, já no fim. Fui procurar o que fazer. A escola tinha que ir até um determinado endereço para coisas de escola das quais não entendo. O secretário iria ao tal lugar, fui junto, alias, fui com meu carro mesmo, um mil.
Tarefa de escola urbana é diferente que em escola rural. Logo umas oito da manhã, saímos. Dia bonito, paisagem perfeita, bucólico. Passamos por casa de jornalista de fofoca, médico famoso, assombrada. Estrada do Guaxindiba, saída por detrás do cemitério. Paramos no caminho para perguntar se estávamos certos (longa estrada), estávamos, seguimos.
Chegando lá, tinha uma baita descida depois de uma porteira tão falada branca. Olhei, analisei, perguntei para o secretário e fui. Fui, fui. Parei, ele fez o serviço dele e não voltei. Fiquei no meio da descida, agora subida.
O secretário não sabe dirigir, por isso fui junto, ele presisava de um motorista, mas um oficial, que soubesse pegar o barranco. Eu fiquei! Inconformada, longe de socorro, sem sinal no celular, tentei, coloquei tapete, desci e subi denovo, repetidamente, sem atropelar na ré o secretário que tentava empurrar e o carro mil teimava a voltar, e tentei, acelerei, o carro sambou, pneu patinou e eu subi.
Suando, rindo, subi, cheguei na estrada normal de terra. Veja bem, na noite anterior havia chovido pouco, mas forte. A sub estrada de terra, ficou molhada. Mas até aí, só mais um estrada de terra.
Dois dias depois, o secretário tinha que voltar na vizinha daquela casa que tínhamos ido. Um outro professor, instigado pela minha pseudo aventura, foi. Carro lotado, dois professores curiosos, o secretário e eu. Chegamos, descemos, fomos longe, mais do que da outra vez e ... subimos, travamos de leve, mas subimos.
Bom, vai ver que eu sou ruim de volante....
Morando aqui, ando conhecendo muita gente boa, inclusive de prosa: Messias, o faz tudo daqui de casa, é um. Vamos conversar que eu moro numa comunidade  com mais três humanos, seis cahorros, três gatos, nove cagados, uma criação de lesmas e caramujos (com estufa para ovos e tudo), muitas galinhas e uma pá de visitante. Para manter em ordem, Shirley e Messias. E o Messias mora para os lado da tal estrada, depois da porteira, que tem uma descida, que depois vira subida que eu fiquei.
Café da tarde no Emílio, estava lá também o Zé, outro personagem que terá um post só pra ele. Papo solto, todos contando histórias, o Messias começa contar de uma tal descida/subida. Ele mesmo, nascido e criado na tal estrada, já tinha caído, esgorregado, com moto no barranco, a moto continuou na mão dele, ruim foi o chão deixou a roda e foi para as costas.
No batizado do neto do Emílio, mês passado, uma pajero não subiu nem a paú, precisou de quatro homens feitos pra tirar o carro de lá. E narrou mais umas histórias que eu mal escutei porque ria muito. Já sabia que era minha subida, confirmei com descrições da porteira, para direita sobe muito é o cemitério, para esquerda é a estrada que ...enfim, contei da minha aventura. O Messias elogiou. Emílio nem estava prestando atenção, concentrado na ópera que estava rolado de som de fundo, e o Zé disse que devia estar seco, ruim mesmo foi quando ele passou com o chão molhado de fusca turbinado, travou de leve, mas subiu.
Assim descobri como só um simples lugar que eu fui tem tantas histórias por trás, deixou assim de ser um mero ponto geográfico e se tornou parte da história de um monte de gente. Se o ponto fosse gente, ia se sentir importante.

Delícia


E a gastronomia? Já comi muita comida boa em casa, por aí. Porém nunca pensei em escrever sobre o assunto. Mas cada vez ando comendo coisas maravilhosas, saudáveis e cheia de histórias. E... hoje, feriado santo, almocei um prato que merece meu esforço, porém não sei se ficará a altura do prato.
Dia chuvoso aqui, comemos risoto: um de palmito, brócolis, acompanhado de hamburguer de picanha, outro de shitake e mozzarella di bufala (e muita pimenta moída) e um de bacalhau. Temperos muitos, não sei quais, mas estavão todos no jardim do restaurante, onde meus cachorros certamente marcaram território.
Para abrir o apetite, licor limoncello e água com gás.
O gosto de comer um dos meus pratos prediletos tão bem feito é indescritível. As fotos tiradas em uma ânsia de traduzir em visual o que senti pelo olfato e paladar não conseguem traduzir o prazer. Comi devagar, apreciei mesmo. Depois, com a chuva dando trégua, sentamos do lado de fora debaixo de uma cobertura hipérbole parabólica, que antes de saber tal conceito arquitetónico achei que estava apenas torto, e a sobremesa veio: torta de banana com sorvete, polvilhada com açucar e canela. Dessa nem foto tirei porque estava num momento muito mais importante.
Muito papo furado, risadas, conversas amenas, daquelas que se encaixam no momento de deixar o dia ir embora sem pressa, sem ganância, só deixar ir, até conseguir levantar, chegar em casa e tomar o café do Emílio.
O chef ficou tímido com o meu pedido de indicar o lugar e contato, então eu, longe do mar, agora tenho meu secret point. Talvez quem venha aqui visitar conheça, se o segredo permanecer. Aqui esta bom como esta. Melhor só se todo dia fosse assim. Mas durante a semana tem arroz integral, feijão, bolinhos, saladas...

Para escutar comendo com os olhos ou comendo o risoto: Beastie Boys, The Mix Up; The Clash, From Here to Eternity; Bad Religion, The Gray Race; Cat Power, Jukebox.

Livro na janela


Prometi que não ia mais escrever, principalmente por causa da insignificancia dos meus textos(?) perto de tão ilustres comunas.
Mas na continuação do meu querido diário, aqui a vida continua boa.
Sinto que isso não é um texto, mas uma carta de uma exilada.
Ontem fomos obrigados a comer churrasco depois da sauna, já que a geladeira do vizinho quebrou. Como o carro também não queria ligar, tivemos que usar o que tinhamos: uma picanha, dois vinhos, um queijo, alho, cebola, batata, pão integral, azeite e pimenta. Coisa pouca. Meu vizinho, que é caixeiro viajante da educação, fez tudo com muito cuidado e sem muito sal. Geladeira e carro estão funcionando bem hoje de manhã.
Dormi cedo, depois de ler o post de tão ilustre Coronel Alexandre, escutando da janela papo de bola.
Acordei cedo, fiz minhas unhas, pintei de pink, conversei coisas da cidade, das pessoas e novos moradores. Desci caminhando, comprimentando alguns pais e mães de alunos, achei uma casa para alugar na feira literária de São Xico em Maio, quinhentos reais o fim de semana, três quartos, o preço é independente do número de pessoas e tem lugar para cozinhar.
Em casa tomei café com o Emílio, quem conhece pode imaginar o gosto desse café. O almoço aqui hoje é linguiça de ontem. E assim começa o útimo dia da semana, comigo escutando Chico (Bárbara), vendo moço dançar com um dos seis cães (Lola, corra) e me despedindo.

Até o doce da cana mata


Nossa casa nova e a primeira vítima.

Internet para poucos e com muitos


Outro dia engatei num papo com uns malucos sobre internet, a nova mídia. Conversamos sobre o Fox Amarelo e tudo mais. A conversa na verdade começou porque um dos malucos disse que era ator e estava começando agora, mas que só era famoso na internet. Minha resposta foi ligeira, a receita é essa, ser famoso na internet. Feito isso, o mainstream descobre e daí é correr para o abraço e louros, que talvez só durem quinze minutos.
Há um site de uma grande emissora de televisão onde um jornalista escreve cpom frequência não religiosa. Nos textos ele comenta que apenas onze pessoas o acompanham. O moço é famoso, tem poderes, saí na balada, entra de graça e faz-se uma fila de meninas olhando, desejando. Mas o mais legal dele são as colunas, que não são lidas!!
O conteúdo não importa, viva a embalagem. Viva o bonito, viva comer com os olhos. Hiper linkando, é por isso que a Natura vende mais que a Avon...
A fama do moço não foi suficiente para fazer com que as pessoas acessassem o site dele. Ele começou errado no Vale, começou na televisão... Já a Stefani, sem pedir para ninguém, ganhou um Fox, sem conteúdo.
Sejamos francos, Pedro, eu quero meu chip!!! E por aí vai.... Nós somos um blog até famosinho no underground, talvez porque temos, no momento, treze colaboradores; escritores nenhum e escreventes vários. Esses treze tem família, amigos e etc, já está aí um bom marketing. Meus amigos são obrigados a ler, por exemplo. Recomendo todo mundo fazer o mesmo.
Agora o porque de algo, nos dias atuais, ter que ser primeiro lançado na internet, eu não sei. BBB (estava demorando pra eu falar disso) traz nessa edição famosos na internet e só na internet e que graças a ela estão lá, no BBB: Sergio e Tessália. Essa é a rainha do Twitter, site onde você deixa mensagens em até 140 caracteres. Sobre QUALQUER coisa, desde que tenha 140 caracteres. (@mariacosta)
Então já que a parada nossa é filosofar epistelogicamente, estamos no caminho. Não somos famosos em nenhum lugar, nem nos nossos locais de trabalho. Mas aqui temos potencial.
Inclusive meu amigo fotografo esta esperando ficarmos famosos para processar o Samuel e eu pelas postagens das fotos dele!


Minha história sobre o fim e o rock


O fim vem logo antes do começo. Quem descobrir de quem é essa frase ganha um torresmo no Savema.
Apesar disso, todo fim doí. Todo fim, para mim, causa dor, inclusive física. Ando passando por vários fins, mas .. o fim vem logo antes do começo.
É preciso refletir sobre o fim antes de começar para não repetir os mesmos erros e nem os mesmos acertos, senão não é fim, é continuação e quase toda continuação não é boa.
Como sou uma moça do rock, coloquei um rock para escutar ontem a noite e comecei a pensar sobre minha história com o rock. Apesar de ser bombardeada quando pequena por Pink Floyd, Beach Boys, Camisa de Vênus, Beatles, David Bowie, Led, The Police, Supertramp, Ultraje a Rigor pelos meus pais, a minha relação com o rock começou numa tarde de inverno na casa de um amigo meu, em 1994. Estávamos na sala dele, tomando cerveja e falando besteiras e ele colocou um CD do Pixies. Amor a primeira vista.
Peguei o CD empretado e levei para casa, mostrei para minha mãe que foi na loja de cds do shopping Centro e comprou meu primeiro CD do Pixies, Dolittle. Eu já tinha Nirvana, Ramones, mas tudo isso era obrigação ou herança cultural. Minha primeira emergida foi Pixies.
Todo fim me dá a impressão que eu estou respirando pela primeira vez depois de um longo tempo sem ar, sair de dentro da água. Essa analogia vem do fato que eu amo tomar vaca na praia e gosto da sensação de respirar novamente depois da privação de ar dentro da máquina de lavar que é onda.
Depois veio a batelada, sem esquecer dos clássicos. Quase todos comprados pela minha mãe: Pulse do Pink Floyd, todos do os outros do Pixies, Faith No More, Bad Religion, Pearl Jam, Beastie Boys, Blur, Weezer, New Order, Iggy Pop, No Dout, Elvis Costelo, Placebo, Chico Science, The Cure, Green Day, Sex Pistols, Garotos Podres, Inocentes, Replicantes, RAIMUNDOS...
Daí veio a internet com Strokes, Yeah Yeah Yeahs, Artic Monkeys, The Ponys, Interpol, Wolfmother, Bloc Party, Franz Ferdinand ...
No meu carro agora tem mp3 e fico até perdida com o que vou escutar, vou do passado perdido e morto para o presente indiepoprockundergroundmainstream apesar que faz uns três meses que Beastie Boys acústico até saí, mas parece que volta sozinho para dento do som.
Mas a questão é, no ano que eu descobri do que eu gostava e era Pixies, o Pixies acabou. O fim vem logo antes do começo. O fim deles foi o meu começo.
O fim de ontem foi meu começo de hoje e confesso que saber isso me ajudou a abrir os olhos e não me lamentar e sim ir atrás da ponta do nó.
Sobre meu amigo, o dono do CD, é meu amigo até hoje, não só ele, como todos que estavam naquela sala. E temos histórias... um dia conto aqui.

Recomendações para escutar lendo esse texto: New Order, 60 miles an hour; Raimundos, Oliver's Army; The Ponys, She's Broken; Pixies, Where is my Mind; The Cure, In Between Days; Supertramp, Dreamer; Sex Pistols, Who Killed Bambi.

Curriculum

A simplicidade humana realmente me cativa e me enoja.
Não consigo dar crédito para pessoas que falam errado, um probrema, sabe?
Mas quando eu solto um pranta tudo bem.
Toda vez que alguém caí, não consigo ajudar, começo a rir de chorar. Quem odiou isso foi minha amiga que ao atravessar a rua, caiu na frente do ônibus, a marmita dela levantou voo e eu só consegui ficar paralisada, rindo.
Para compensar, vivo caindo. Outro dia, estava rindo da desgraça alheia com a mesma amiga que caiu no ponto e ao entrar no carro, puff, caí feio.
Entro errado em portas, não consigo firmar o pé em escada rolante, mas nunca derrubei um copo cheio. Vazio vários. Tenho roxos inexplicáveis pelo corpo e vivo a base de cataflan gel e dorflex.
Quando conto histórias aumento, para dar ênfase ao que quero mostrar. Daí vem a colocação do meu amigo Massao: existem três verdades, a sua, a minha e A verdade. É Massao, você sempre está certo, mesmo quando esta errado.
Sou honesta com minhas amigas quando o assunto é vestimenta. Principalmete se o vestido parece um merengue.
Sou safa em papo aranha, mas adoro uma cantada barata, 'seu perfume é o melhor da noite' e 'seu nome é google?'.
Parei de beber e descobri um mundo novo, onde as pessoas falam mais alto que eu.
Sempre penso duas vezes antes de falar, mas acabo falando besteira.
Travo ao falar em público. Mas falo muito quando tenho que calar a boca.
Odeio reuniões sérias, adoro papo informal.
Em velório tenho vontade de rir e em casamentos choro.
Consigo conversar por horas sobre assuntos nerds, para isso recomendo o site Jovem Nerd. Star Wars para mim só os três últimos que foram lançados primeiro e Senhor dos Anéis é um clássico. Chorei porque meus amigos foram embora no final desse livro e no Cem Anos de Solidão e As Cronicas de Arthur.
Sempre penso em alguma frase dos Simpsons para cada momento da minha vida ou em alguma crônica do Luis Fernando Veríssimo.
Tudo isso para tentar me desculpar, porque adoro reality shows e sim, já comprei o pay per view do BBB 10.
Se quiserem me explusar daqui fazer o que? Abrirei meu blog e viverei. A vida sempre continua.

Desabafo de final de ano

A beleza de entender a diversidade da vida é incrível.
Há um tempo atrás assisti ao filme Wall-E e saí do cinema chocada e feliz. Como que algo numa linguagem tão simples pode dizer tanto?
O filme, para os infelizes que não assistiram, não tem diálogos por mais de meia hora. O tema do filme é meio ambiente e a falta de resursos naturais. Um robo que compacta lixo esta sozinho no planeta Terra, onde só há lixo e os seres humanos estão numa nave espacial cruzeiro esperando a Terra ficar pronta para a volta deles. Só que muitos anos se passam, muitos mesmo e os humanos ainda estão lá, viajando pelo universo esperando, só esperando.
Copenhague que me ensinou que nós ainda estamos esperando. Fazemos comparativos e mais nada. Em 2002 na Rodovia dos Tamoios, depois de Paraibuna, tem um charco que estava completamente seco. Hoje o charco esta quase que lago, então por que a preocupação com a escassez da água?
As pessoas não entedem que só porque há água hoje, não haverá amanhã. Que diversidade é bom, mas picos de bom e ruim demonstram que algo está errado.
A população não para de crescer, as cidades ficam casa vez maiores, os produtos são cada vez mais descartáveis, as pessoas são casa vez mais volúveis e eu aqui, vendo tudo isso e não estou fazendo nada.
Uma doutora em Educação Ambiental me disse que essa lado da Biologia é como uma árvore de grande porte. Você irá jogar as sementes, não verá quase nenhuma árvore crescer e dificilmente colherá algum fruto. Frustrante e sem estrutura emocional fica difícil não abandonar o barco.
Mas aqui estamos nós, caros comunas, tentando fazer algo, mesmo que apenas filosofar infinitamente sobre esse tema. Mesmo que para dizer as coisas que todos já sabemos e não fazemos. As vezes me sinto como uma criança que faz as coisas porque é preciso e não porque realmente saca o que estou fazendo.
Cansei de discutir se desmatar esta certo ou errado, estou procurando entender a compensação de carbono e seus benefícios $$. Não argumento mais enfaticamente com quem joga latinha ou papel de bala pela janela do carro, eu não jogo e recolho de quem joda. Na faculdade nunca fui ecochata, minha amiga que era esta nesse momento num návio do Greenpeace perseguindo caçadores de baleias. Esse era o perfil dela e morro de orgulho de tê-la conhecido. Mas eu, eu sou só uma biologa procurando onde colocar em prática tanta teoria, misturado com serpemtes e alunos.
Mais um promessa para o próximo ano: me incomodar menos e fazer mais, por mim, pelo meio ambiente e por você.

PS: texto dedicado a Alê e ao Alê (não o Coronel). Os dois estão me ajudando a entender a diversidade humana. Lembrando que de todas as espécies, a descartável para mim era a humana.

Promessas karma fim de ano

Todas as promessas devem ser cumpridas por quem as faz, uma vez que a pessoa que faz promessas acredita que algo ruim acontecerá com ela caso ela não cumpra a promessa. A maioria das promessas é feita inclusive quando algo ruim acontece, fato esse que me deixa um pouco confusa na minha infraestrutura biopsicosocial pouco católica.
Para aqueles pouco ortodoxos existe o karma, esse isenta um pouco a culpa de cada um, uma vez que é culpa do karma que você carrega as coisas que você faz ou das coisas que acontecem com você. Você realmente não tem culpa de nada. É karma!
Um amigo meu me confidenciou que ele tem uma religião de um mandamento só: não faça com os outros ou para os outros aquilo que você não quer para você.
Daí chega o fim do ano e de onze e cinquenta e nove para as doze horas (com horário de verão e tudo) pum, todos são outras pessoas. Pessoas melhores, pessoas boas, pessoas respeitadas e respeitadoras.
Não sei que promessa irei fazer, não sei que karma irei culpar ou me inocentar com, não sei se irei respeitar a religião de um mandamento só e não quero virar abóbora no ano novo, mas prometo aqui que no próximo ano escreverei mais e dormirei menos ou basicamente continuarei a mesma com alguns acrescimos (que não na balança) positivos e negativos. Até porque o bom de um é o ruim de outro, mas isso é outro conto.

(uma promessa só para minha pequena Alê: nada de estâncias. Minerais, naturais, rurais, aquiferas ou o raio que o parta..Se me buscarem com carrinho de golfe ou ponei, talvez....)

Por esses dias

Hoje no horário político curto(durante os intervalos) vi um canditado evangélico delineando a vida. Para ele, a vida começa com a junção do espermatozoide com o óvulo.
O fim é quando o sujeito perde a consciência, por exemplo na morte cerebral, deixando de existir.
Primeiro, por que um canditado delimita vida? E na televisão? Fiquei uns minutos sentada na cama pensando sobre isso.
Segundo: delimitação pobre, uma vez que, no embrião que aconchega-se no útero não há consciência também, já que não há formação nem ainda da cavidade onde futuramente irá crescer a notocorda, ou Sistema Nervoso, dividido em Central e Periférico. Ou seja, do ponto de vista exposto por ele, o canditado, se o fim é o fim da consciência, o começo então deveria ser o começo da consciência. Não?

Com esse comercial, o texto do meu querido amigo Prata e já nesse final de ano, lembrei-me de meu melhor amigo que faleceu há quase um ano, completará um ano no dia ... bom, esse é o problema.
Dia 28 de Dezembro pela manhã, em Ubatuba, ele caiu sozinho na cozinha. Escutou-se um barulho, quando chegaram na cozinha lá estava ele convulsionando no chão. Correram para São José. Diagnóstico: morte cerebral, só confirmada num exame feito dia 29 de Dezembro. Durante todo esse dia, até o dia seguinte, os órgãos que poderiam ser removidos foram encaminhados para transplantes. Infelizmente o coração não pode ser usada devido aos procedimentos médicos.
Dia 30 velei meu amigo. Disse tchau para ele ali deitado no caixão. Ele estava sorrindo.
Dia 31 vi fecharem o caixão.
Mas para mim, biologa cética, ainda é difícil aceitar a morte dele. Os olhos dele ainda veem, o fígado ainda funciona. Sem o funcionamento dele, morremos em três dias. Como então ele morreu?
Escrevo esse texto para lembrar a mim mesma que os limites existem para quem os cria. O fim da pessoa que eu amei muito e amo, não por parentesco, mas por convivência, por todas as coisas boas e ruins que passamos juntos, me deixou carente de amigo, sozinha. Tenho muitos amigos que irão ler esse texto e me chamar de mal agradecida, mas o lugar do Marcelo sempre será dele e nesse momento que escrevo esse texto choro de saudade da risada dele, que ainda consigo escutar, então será que ele se foi mesmo? O lugar dele está vazio.
Já pensei em ligar para ele. Já o coloquei em listas de festas.
Já imaginei tudo que ele não foi e poderia ser e penso nos limites, dele e meus.
O vazio fica e não importa quão longe ele esteja, eu sempre vou ama-lo e vou morrer de saudade de quando ele falava bravo comigo, no fundo ele meu único amigo que podia brigar comigo de verdade. Ele era o único que conseguia impor limites em mim.




(Segue a letra de uma das músicas prediletas dele:
Yesterday I got so old
I felt like I could die
Yesterday I got so old
It made me want to cry
Go on just walk away
Go on
Your choice is made
Go on and disappear
Go on away from here

And I know I was wrong
When I said It was true
That it couldn't be me and be her
Inbetween without you
Without you

Yesterday I got so scared
I shivered like a child
Yesterday away from you
It froze me deep inside
Come back don't walk away
Come back today
Come back
Why can't you see?
Come back to me)

Pare, pense, respire

Já que aqui virou meu querido diário, gostaria de relatar algumas experiências. Há muitos anos, dois alunos meus brigaram dentro de sala de aula, carreguei os dois pelo puxador da mochila até a diretoria, arrastando os pés deles no chão. Hoje dois alunos meus brigaram e precisou da diretora impedir que eu batesse nos dois. Foram preciso umas cinco pessoas para me acalmar, não ia bater nos meninos de soco, mas ia pegar me chinelo e descer nos dois. Ia mesmo, mas me deram água com açucar. Os alunos, que estavam errados, vieram pedir desculpas e me abraçar quando eu estava mais calma. Acho que ficaram com medo de mim. Mas daí fiquei a viagem de volta me perguntando, eramos tão violentos na idade deles? Será que eu já sou aquelas que no meu tempo? Por que meus alunos insistem que tudo resolve-se nos socos? E depois de serem levados até a diretoria resolvem na conversa? Qual a importância da violência na formação de quem somos? Eu cresci com anuncios horrendos da Guerra Fria no Jornal Nacional e no Fantástico e não tinha controle remoto para trocar de canal e nem voz. O botão era de girar e fazia tec-tec-tec. Escutava sempre 'os eua tem o poder de destruir o mundo vinte milhôes de vezes', quer violência pscicologica pior? A violência estava ali, pra qualquer um ver, imaginar e apalpar. Fui no cinema do centro, ao lado das casas bahia assistir Robcop, um dos maiores filmes de violência da história. Não tinha doze anos. Assisti Batman no cinema e vi o Coringa voar lá de cima. Pulp Fiction assisti com uns catorze quinze anos e depois assisti Transpotting! Hoje ficamos numa censura falsa, assustados com torcidas organizadas, com pessoas de universidades gritando com moças de minisaias usadas por apresentadoras de televisão em programa de domingo, fingimos espanto quando vemos pessoas gritando umas com as outras bebadas, nos sentimos mal, mas por que? Acho até que já escrevi sobre isso aqui, mas quero pão e circo, panis et circenses, devolta! O tempo todo tento provar para mim que não é preciso violência, vamos conversar, vendo esse peixe para os meus pobres alunos que me escutam e me sinto super bem de fazer algo bom, mas tem hora que HAAAAAAA!! No trânsito principalmente. Sempre me lembro do desenho do pateta. Não sei porque, queria estudar um pouco mais sobre isso, mas as cobras são mais amáveis que o ser humano, fiquei com elas e deixo a porrada correr.
Bibliografia: Pedagogia do Amor. Chalita, Gabriel

Rápido. Duro. Forte

Fetiche. Seu fetiche era olhar, apenas olhar....Pensava nas coisas obscenas que não tinham acontecido e o por vir o excitava mais que qualquer coisa que ela pudesse fazer a seguir. Sua imaginação sempre era mais criativa que qualquer mulher que ele tivesse levado para a cama.
Mas o que era para acontecer só entre quatro paredes saiu pela porta e a sua imaginação não conteve-se na sala.
Saia na rua e pensava naquela senhora nua, andava mais um pouco e parava ao ver uma loira e na sua imaginação a selvageria ia... No principio só havia delícia... Porém, com o decorrer dos dias, das situações e de todas as consequências que não serão escritas, pois o exercício maior aqui é a imaginação, ele começou a perder a cabeça. Tudo o excitava e nada mais era apenas normal. Começou a sentir-se constrangido ao entrar na casa da sogra, por exemplo. Na conversa com a colega de trabalho que via como uma irmã devido a antiga amizade, o frio na espinha e o calor por aí, o fez corar. Riu sem jeito e saiu. Tudo que sempre escondeu dele mesmo estava agora exposto demais. Pensou em ligar para Freud, lembrou-se da impossibilidade. Sentou e resolveu se concentrar. Tudo aquilo era impossível, uma vez que ninguém tem o subconsciente tão consciente, então era ele mesmo que estava fazendo isso. Portanto poderia parar quando quisesse. Não parou. Não conseguia. Todas as fantasias, todos os dedos, todos os toques, todas roupas íntimas, toda depravassão estavam ali na rua com ele e com aquela desconhecida nem tão apresentável. Começou a ter ereções por objetos. Nesse momento tudo perdeu senso. A máquina de lavar em exposição nas casas bahia, que delícia. O frango na televisão de cachorro virando tão devagar... as helices do ventilador girando em sintonia perfeita. O vento forte balançando a placa. O farol com três cores tocando com responsabilidade o trânsito. A tomada tão bem enfiada ... Daí parou de pensar e curtiu cada coisa que poderia. Pensou que ruim mesmo seria comer um pão com manteiga de paú duro na padaria!

Vamos tentar chegar em algum lugar ou a algum lugar?

Tarantino's mind. A mente do Tarantino.

Sempre que eu penso em algumas coisas do dia a dia, como tomar um refrigerante, penso em Tarantino.
Outro exemplo, não consigo ir ao McDonalt's sem pensar no Quarteirão com Queijo. Penso na loucura das traduções brasileiras, o que era medida de peso transformou-se em medida de distância e sem padrão. E na França e suas maioneses e cervejas.

Bom, mas isso é outro texto. Mas o que me cativa, o que eu amo nos filmes de Tarantino são os diálogos.
Não sou crítica de cinema, não entendo tudo, não sou viciada e pouco vejo críticas e making-offs. Gosto de ler, gosto de filmes e gosto de abraçar roupas que saiem da máquina de secar. Nada escrito aqui é uma crítica, é simplesmente uma visão minha e eu gostaria muito de morar num filme do Tarantino, mesmo com a violência, me parece mais interessante do que viver aqui agora. Não conheço ninguém que seja capaz de manter um diálogo tão vivo como nos filmes de Tarantino. Não conheço ninguém que diga tanto a respeito de si mesmo em tão pouco tempo e não falando de si como os personagens de Tarantino, com tantos palavrões e tudo mais.
Vicent Vega. O cara morre, eu sei disso e fico maluca nas cenas deles. Mesmo ele morrendo, ele é o principal. Quebra de tudo que eu assiti! Nenhum mocinho morre...
Mr. Blonde. Como eu queria ter a calma que ele tem. E ele dança. E ele é irmão do Vicent Vega que .... é interpretado pelo John Travolta, ícone de dança dos anos 70! Porém a dança dos dois irmãos em filmes diferentes é totalmente oposta a tudo, pelo cenário, situação...
Durante toda minha adolescência entrava em lugares, com meus amigos, sentindo-me a Mrs. Blonde!! Escutava até a música no fundo da minha mente.
Toda vez que eu tenho um pensamento revelador, Ezequiel 25:17.
Quando eu quero acordar, penso na abertura de Pulp Fiction, a surf music tão ridicularizada que voltou com tudo.
Confesso que até a inconstância dentro da inconstância do Tarantino me comove. Amo Drinque no Inferno. O Cheech ou o Chong vendia pussies na frente do bar! Poxa!!

Eles Matam e nós Limpamos faz tempo que não assisto, mas na época assisti repetidas vezes e a sucessão de perguntas na cabeça daquela moça, que é a mesma que leva embora o Butch da luta ganhada embora, é incrível...E o Tarantino só produziu.
Alias, desculpem-me os cultos desse blog, mas qualque filme com on Bruce Willis eu amo.

E no Sin City, que dá para ver o corte de pensamento e pegar no ar a linha que corta a cena que o Tarantino dirige?
Planeta Terror nem vou comentar para não ser tão achovalhada.

E a trilha sonora de Quentim Tarantino? Ele já disse que há cenas que começaram com a música, exemplo da luta contra os A Noiva e Os 88. Perfeito. E a mamba? Não há palavras no meu vocabulário para descrever, alguém ajuda? Coronel?

Mas, tudo isso era para mostrar aos meus amigos comunas que o diálogo, mesmo da forma mais maluca e despretenciosa, é a melhor forma de cativar alguém. O essencial de Tarantino é que quem conversa presta atenção, quer debater e tem espaço para colocar suas opiniões, mesmo que tolas e bobas. Escutar e falar, aceitar não ganhar e aprender a somar conhecimento.

Mas se forem brigar, por favor, comprem um Jukebox, escolham uma música nunca pensada antes e façam para valer, com sangue.

Para saber mais, assistam ao curta nacional com Selton Melo e Seu Jorge.

Festa Punk com Amor


Daí a vida mostra pra você com toda força porque ainda é engraçado ser.
Menina com cara de anjo, fala mansa e modos doces, namora menino com cara de anjo, voz mansa e que é baixista/vocalista de um banda punk. Menino esse que mora na região nobre da cidade e canta com ódio revolucinário no coração. Ódio ao que, foi minha pergunta durante todo o show, com a bonequinha com cara feliz pulando do meu lado.
Mas a noite continua.
O cenário era todo sujo, escuro, com homens mal encarados e poucas mulheres. Mas na frente do palco havia dois rapazes de regata, com duas meninas lindas peruas, totalmente deslocados, os marombados no punk. Durante o show do Filu, (eu só chamei de Flu) menino de rosto angelical e voz diabólica, as meninas tampavam os ouvidos, mas mantinham um sorriso nos lábios, os dois rapazes agitaram a cabeça em descompasso. No fim a bonequinha me contou que um era irmão do Flu e evangélico.

Fui respirar um ar. Minha amiga, mais nova que eu em idade e mais velha em vida, desabou no banco do lado. Daí veio um fulano. Pediu para sentar, perguntou se nossos namorados não se incomorariam e explicou que odiou o bar, preferia ter ido na festa universitária aché. Poxa, por favor, não se segura na cadeira, vai!

Não foi, ficou contando a vida dele e me explicou porque as ruas de São José são tão largas.
Mais então o verdadeiro punk começou e eu, meio sem jeito, fui para a festa punk e confesso que me acabei, Sandina (Todo mundo vai embora, todo mundo tem sua hora), Surfista Calhorda (Vai pra NY estudar advocacia), Nicotina(?), Astronalta (Coração de Bebel) e pra fechar Festa Punk! Ah, me senti a Sininho. Como o Wander Wilde foi embora, todo mundo vai, a banda na comemoração de 25 anos de punk colocou uma volcalista loira e com 25 anos!! Parecia o filme Exorcista, aquela cara linda, loira, franzina, olhos azuis e voz de vomito!
Punk é isso aí, por isso que é bom, sem pretenção.
Certo momento o Peter Pan chegou e me disse que era tudo igual ao que sempre foi. Sim, era. Nós eramos diferentes também, mais velhos, mas procuravamos voltar? Ou apenas lembrar? Ou eramos isso?
Por fim, teve volcalista da Banda Eva (eu achava que era a Ivete Sangalo, mas ...), amigos sem educação e sujos achando que suor se divide e não se limpa, estoque de água tônica finalizado, água sem gás, banheiros com papel higiênico no fim da festa (isso sim sem explicação).
Ainda bem que acabou com quatro pessoas deitadas na calçada comendo sorvete pensando que amanhã vai dar piscina.


Foto Roberto Massao

Final de Primavera



Acordou e não abriu os olhos. Mesmo sem saber porque, esperou a dor. E ela veio. Sua mão ardia, sua cabeça latejava, as palpebras pesavam de tanto chorar. Abriu os olhos e o teto branco não amenizou a dor, só a aumentou, lembrando-a que tudo era real demais. Ele estava dormindo ao seu lado, mas não era ele, tinha uma expressão ruim, um rancor em sombras. Devia estar sonhando, pois as mãos e pés movimentavam-se em espasmos.

Ela levantou sem fazer barulho, foi até a cozinha, acendeu um cigarro no fogo que a água fervia. Ficou olhando pela janela sem conseguir respirar, não conseguia olhar para os próprias mãos com ferida aberta.

Sentou com uma xícara de café sem açucar e acendeu outro cigarro. Não havia o que pensar, qualquer pensamento resumiria-se a dor, tristeza e arrependimento.

Sem fazer barulho, pegou tudo que era seu, pouco ali era realmente seu, talvez nem ela fosse dela.

Despediu-se dos cachorros, entrou no carro e foi embora.

Dirigiu pela cidade amanhecida. O calor era já insuportável e a claridade incomodava os olhos inchados.

No primeiro sinal vermelho parou e pensou que não tinha realmente para onde ir. Encostou a testa no volante e voltou a chorar, talvez não tivesse parado. O carro atrás buzinou. Por um segundo pensou em voltar, mas não queria voltar para aquela casa, queria voltar para algo que nunca existiu, algo que era só sonho. Engatou primeira, abriu as janelas, respirou fundo. Pensou que há tempos não respirava, sozinha. Seguiu sem rumo, mas foi em frente.

Sabia que a dor só estava começando, mas iria usá-la para acordar e não fugir.

20 anos de alguma coisa


Começo com uma confissão: escrevi sobre os duzentos anos de Darwin e acabei perdendo..na falta de Darwin, falarei sobre os vinte anos de Simpsons. Ainda sobre a polêmica que anda assombrando esse blog, o episódio que estava assistindo hoje teve o seguinte diálogo entre Homer e Bart:
- Mas pai, isso não está correto, você não viu na Wikipédia?
-Claro, filho, mas chegando em casa daremos um jeito na Wikipédia...
Entendo que tal desenho é escrito por dezenas de pessoas e que a genialidade fica assim mais fácil, porém cada episódio que assisto percebo como detalhes ocultos, os easter eggs, iluminam a mente de quem assite. Pesquisas apontam que palavras cruzadas, xadrez e ler ao contrário exercita o cérebro, esse miojão que fica em cima dos seus olhos pelo lado de dentro. Me pergunto se Simpsons também tem tal efeito.
Um desenhista com vinte poucos anos estava na porta de Mel Brooks, famoso comediante americano, com uma tirinha nas mãos de namorados. Pensou como aquilo era absurdo e desenhou rapidamente uma tirinha sobre uma família com problemas! Na minha opinião a melhor família, americana ou não, que representa toda ignorância acumulada em egoísmo e é ainda é um tapa na cara para quem ve além disso.
No episódio que se passa no Brasil tem sim macacos na rua, mas também tem um garoto pobre chamado Ronaldo que a Lisa ajuda a comprar sapatos. Tem também uma apresentadora de programa infantil loira que usa um top e é um pouco burra. Totalmente diferente da realidade brasileira!

A chata do desenho é a filha Lisa, vegetariana e ativista ecológica. Resolve não comer mais carnes e o pai comemora fazendo um churrasco. Quando cheguei na casa da minha amiga que não via há tempos, comuniquei que não bebia mais. No primeiro porre dela, ela me ofereceu bebida de cinco em cinco minutos. É socialmente inaceltável beber ou não comer carne!

O diretor da escola primarária de Springfield, Skinner, mora com a mãe, tem um caso com a professora e é perseguido obsessivamente pelo garoto diabólico Bart.

Cada episódio começa de um jeito e termina de outro completamente diferente!

A mãe é super protetora, o pai é o desenho da ignorancia amável, exemplo em uma tourada onde ele usa o vestido vermelho da filha para atrair o touro, com a filha detro do vestido...enfim, poderia ficar horas descrevendo cada episódio e personagem, já que amo a série e assisto sempre que é possível ou não.

Mas a conclusão é: ficar procurando a fórmula do sucesso não existe. Ser original e verdadeiro, seja a verdade dolorida ou não é o caminho para chegar em algum lugar, sendo ele com dinheiro ou sem, mas onde a paz de espírito existe. Não quero dinheiro, quero chegar em algum lugar.


PS: a Wikipédia não foi ultilizada para escrever esse post.


De livros mais lidos até a Revolução

O fenômeno Crepúsculo me pegou, confesso. Tanto ouvi falar, tanto critiquei, até briguei com uma amiga que queria ver o filme, porém um dia passeava pela minha livraria predileta e vi a edição em inglês do primeiro livro. Peguei, li o primeiro paragrafo, entendi e pensei: em português jamais iria ler, mas em inglês seria mais um desafio que uma leitura simples.
Li. Li os quatro volumes, todos na língua do Tio Sam, apesar das edições serem inglesas. Praticamente me senti num café inglês comendo muffins.
Então, já que aqui escreve o que quer, QUEM quer, digo que: não leiam.
Para homens adultos cultos esse livro deve ser o último para ser lido. Mesmo que o mundo acabe, como no livro Blecaute, e o passatempo resuma-se a leitura, não leiam. A mente de vocês, amigos comunas, não está para esse tipo de dida literatura. Quem leu Noite Brancas numa tacada só, jamais, repito, jamais irá gostar de Crepúsculo.
Em Português então, não leiam mesmo . Depois da minha leitura em inglês, peguei a edição em Português e o o pequeno encanto acabou-se. Só não é pior que Paulo Coelho e Chalita.
Mulheres abandonadas, amando sem ser amadas, amando e sendo amadas, não amando e não querendo, mulheres: leiam...leiam com amor de mãe se for o caso, mas leiam. Melhor que ler fofocas na internet.
O personagem central do romance é sim apaixonante, mesmo que para sua filha. Que mulher aqui (eu e o Sebastião Maia) não quer ser protegida e amada incondicionalmente, mesmo sendo infantil? Que mulher aqui não quer ter uma crise de tpm terrível e ser amparada e não reprimida?

Mas depois leiam também V. Woolf, Verissimo (autor, não atriz), Douglas Adams, Tolkien, Nelson Rodrigues, Saramago, Garcia Marquez, Clarissa Estés, Campbell....

Ler, caros, é o que resta para todos nós, já que a revolução morreu faz tempo. Vamos combinar: foi-se o tempo que a maioria aqui era de esquerda. Agora nossas bundas de veludo dizem que somos centro, onde não há revolução, só reuniões.

O Chute da Bola

Sempre quiz ser professora, nunca soube explicar porque. Queria ser e pronto.
Porém nos últimos dias a corda apertou: cirurgias de última hora, pressão, curso em outra cidade, trabalho em outra, casa em outra...tudo resultou em muito cansaço e acabei adoecendo.
Existe uma lenda que conta que pessoas doente pensam mais, observam com mais cautela. Pois é, acabei descobrindo porque eu virei professora. Porque eu acredito, porque eu ainda acredito. Acredito que as pessoas podem fazer diferença na sua vida e acredito que eu posso ajudar essas pessoas a serem boas. Não vou fazer toda diferença, mas sei que faço.
Meu aluno me viu com os olhos pesados de tanto chorar, por debaixo dos ocúlos escuros. Perguntou se eu estava chorando e expliquei que sim, minha amiga na mesa de cirurgia me fez chorar, mas gostaria de ficar em silêncio. Ele me deu uma banana (fruta) e desde desse dia abraça mais os amigos e amigas.

No outro dia, assisti a Lista de Schindler com eles. Risos. Parei, conversei. Outra cena. Parei conversei. No fim, muitos choraram na cena final das pedras. Detalhe, eu chorei no filme anterior, O Pianista. Não aguentei a cena da lata! Sem medo, eles choraram com a vida da guerra.
Depois de tudo isso resolvi, que para descontrair, íriamos jogar bola. Inclusive me lembrei do comuna ex professor que já jogou bola comigo e alunos, nesses dias 'vamos dar uma parada porque a pressão está demais'.
Durante o jogo, sem time, meninos e meninas, compreendi definitivamente que era por isso que eu dava aula, facilidade da felicidade. Fui chutar a bola, chutei o chão, dividi bola, dei cotovelada no estilo Leonardo, fiz gol sem querer no gol adversário. Fazia tempo que não ria tanto e cada risada minha era motivo de mais risadas dos meus alunos, que esqueceram até da hora de ir embora.

Entendo tudo isso aí que vocês discutem, governo, superfaturamento, ecologia, pontes sem fim, kioto, extinção, começo, queimadas, alíquotas, icm, acm, pmdb, psdb, bundinhas de veludo, água tônica vesus infarto do miocardio, tudo isso aí e um pouco mais.

'Eu fico com a pureza das respostas das criancas:
É a vida! É bonita e é bonita!'

Ócio

Minha criatividade, minha inspiração, andam em manutenção.


Procurei até no buraco do Tatu.


Mas ainda caminho só, procurando.



Tarde

Antes de virar a esquina já tinha o coração na garganta. Lembrar todo caminho não era difícil, o medo de errar o caminho é o que a deixava em pânico. Quando chegou, entrou e não prestou atenção em nada, nada viu, só sentia o cheiro dele e se concentrou para não tropeçar na própria vontade.
Não comecemos pensando errado imaginando que ela, cheia de tanto desejo, chegou e nada fez. Fez muito, sentia-se bem, confiante e sentou-se na cama, no pé da cama. Queria arder, mas sentou-se nos pés. Foi beijada, deitou-se. Conseguia prever tudo o que aconteceria ali, mas cada segundo demorava mais que uma vida. Mal conseguia segurar a roupa no corpo, queria sentir e ser sentida. O desejo não diminuía. Dane-se o mundo, a televisão, a janela, o pudor. Antes dali, quando ainda tinha alguma razão, colocou o sutiã bege, tentando afastar o inevitável, mas agora o mundo só tinha uma cor, a cor do amor.
Tempos depois, quando lembrava da tarde de outono ensolarada, o peito ainda apertava e uma falta de ar tomava conta.
O sutiã bege saiu, respirou fundo, queria tirar todo resto, mas não conseguiu sequer tirar os braços de frente do corpo. Ele sorriu, ela tirou os braços. Beijou, beijou com força, beijou com adoração, beijou porque de tanto desejo não sabia o que fazer. O toque da mão dele na sua pele fazia com que sua cabeça parasse. Sentou em cima dele, escutou um gemido e teve vontade de fugir. Tudo ali era irreal demais, feliz, natural. Tantas tristezas faziam com que ela quisesse estar em casa. Tantas tristezas. Queria estar em casa e não sentir, se alienar em frente a televisão. Não queria se envolver e queria ser amada, queria ficar sozinha e não sofrer. Mas já sofria, sofria em pensar que a noite chegaria e acabaria com a tarde. Sofria pela ausência futura do cheiro dele. Sofria porque o beijo acabaria. Sofria com medo que o tempo acabasse com tudo aquilo, se perguntava como teria vivido tanto tempo sem esse desejo e sem ser desejada como agora.

Tanto desejo, tanta carne, tanta vontade de descobrir e conhecer não podia terminar naquela tarde, tudo termina, mas não naquela tarde.Ta

Mais um dia que se passou em minha vida

Minha cobra cega morreu. Dois dias antes do meu aniverário. Hoje fui dar bom dia, como faço toda manhã e lá estava ela, sem vida. Mordeu um pedaço de folha e morreu. Quase todo dia recolho as cobras que morrem e morrem muitas, estress do cativeiro, manejo inadequado, porém nenhuma delas me causa nada, mas minha cobra parecia ter uma dor indescritível estampada na face.
Ossos do ofício, lição de vida, fatos para serem escritos e descritos, apego a uma cobra. Não sei explicar, só sei que doi.

Cobra cega

Tenho um problema em mãos: uma cobra cascavel com catarata, o cristalino dela esta todo opaco. Ela é grande, gorda e linda, mas não consegue se alimentar sozinha.
Ela vive numa caixa há quase um ano, uma caixa com papelão no fundo e um pote de água. Quando eu a tiro da caixa com o gancho ela se debate, não consegue me atacar nem se equilibrar. Coloco o rato na frente dela e ela tenta dar o bote, mas ataca o ar. Eu entro na quarentena e todas as outras cascavéis tocam o guizo compulsivamente numa tentativa de me amedrontar e ela fica lá, com seus olhos de vidro tentando olhar pelo vidro.
Acho que vou ter que sacrifica-la, mas cada dia que passa me apego mais a ela.
Ontem tentei novamente alimentá-la naturalmente. Deixei um ratinho dentro da caixa dela durante a noite. Hoje de manhã o rato estava dormindo enrolado nela, se aquecendo. Quando fui tirar o rato de dentro da caixa passei a mão na cascavel, um carinho, ela não ficou nervosa, mas ficou com medo, tentou fugir, batendo a cara no fundo da caixa.
Gostaria de tirar ela da caixa e colocar ela no viveiro antes de sacrificá-la, para ela sentir as pedras no dorso antes de ir.

As meninas

Na minha adolescência conheci muitos meninos que hoje são homens. Uns seguem a vida, casam, tem filhos, trabalham, enfim, tudo que se espera de um homem. Outros não cresceram e nunca vão crescer, assim acho. Acho ainda que alguns deles se crescerem irão fazer com que parte do meu chão desabe. Machista, eu? Não, respeito acima de tudo a natureza de cada um.
Essas pessoas de que falo são homens que amam a simplicidade de a cada dia ficar com uma mulher.
Impossível, não existe simplicidade em ficar cada dia com uma mulher, diriam alguns. Mas para esses homens existe.
O maior medo da população feminina em geral e de grande parte da população masculina é ficar sozinho, para estes homens isso sim é normal, a solidão de poder ter a quem eles quiserem ou não ter.
Um desses amigos, por exemplo, sai com meninas que cobram, caro por serviços sexuais. Ele paga? Não. Ele é tão especial, tão legal, atencioso, carinhoso, utiliza tanto tais serviços que elas ligam pra ele, depois de muito trabalho, para sair. Pagam baladas, motéis, jantares. Ele faz a felicidade delas e nunca fica realmente sozinho.
Ele tem namoradas, sempre está namorando, mas namora a idéia mais do que a mulher.
Normalmente as namoradas dele são lindas, inteligentes, tem idéias revolucionárias, sabem o que querem da vida e como chegar lá. Mulher perfeita até para mim, que sou mulher e amo homens, mas para esse camarada, são apenas uma bengala social.
Então ele me confidenciou, estava namorando fazia um tempo e não tinha saído com outras mulheres. Senti um certo desconforto na cadeira por alguns segundos. Não acho que sair com outras mulheres namorando está correto, mas nenhuma das mulheres que ele namorou eram ignorantes que não sabiam onde estavam amarrando o burro, somos de cidade pequena. Na minha simples opinião, tais namoradas sabiam ser simples bengalas e gostavam. Algumas até, acredito ficaram com ele na esperança de dar um jeito na situação, mas não é possível que elas não perceberam que não estavam obtendo resultados. Recuso-me a acreditar que elas não percebiam nada. Mas enfim, uma apareceu, uma dessas que segurou toda a vontade dele de conhecer e trepar todas as mulheres do mundo que cederem as suas falas prontas.
Porém, menos de uma semana depois, outra revelação, ele tinha sim, naquele fim de semana, saído com outra mulher, não com uma, mas com duas. Daí descobri que tanta fidelidade por parte de quem não era fiel se deu pela falta de opção; como a cidade é pequena ele ficou com medo de ser pego. Então resolveu curtir a tal da fidelidade, porém, viajou. A oportunidade pulou no colo dele. Hoje está feliz, descobriu que não estava traindo a namorada, mas estava se traindo, e parou com isso. Nunca mais vai cometer tal traição.

Volta ao circo

Sábado. Manhã linda. Sol. Pássaros cantantes na janela. Jogo de futebol.
Fui assistir jogo de futebol, final da Copa Vanguarda, São José contra o Bragança Paulista.
Jogo lindo, a Águia começou colocando duas bolas na rede do Braga, a primeira de pênalti. Jogadas bonitas, passes bem feitos, chutes a gol vários, torcida com hino, criança gritando pedindo gol, juiz sendo xingado. Tudo que um jogo de futebol deve ter. No intervalo mais de 50 crianças em quadra num campeonato improvisado de embaixadinhas, crianças de todas as idades, numa desorganização divertida.
Segundo tempo, Braga volta com tudo e mete três gols na Águia. Torcida pasma, frio na barriga, chutões a gol, bolas desperdiçadas, passes não feitos, fominhas. Tudo estava perdido? Não, entra um tal de camisa 10 do São José e coloca ordem na casa, bate forte e colocado (CORONEL, et. al). São José faz mais dois gols e a partida fica 4x3. Calma, ainda faltam 5 minutos pro juiz apitar o final e como dizia Vicente Mateus, o jogo só acaba quando termina.
De repente, começa. Faltas de maldade. O camisa 7 do Braga enche a boca e fala na cara do jogador 10 do São José:
--Vai dar a bunda!
Repete isso, com cara de safado umas cinco vezes. Segue o lance, o juiz apita um escanteio pro São José e bum: porradaria generalizada. O banco de reserva do Braga invade o campo e começa a discutir/agredindo o camisa 10, o banco do São Jose levanta para defender, na seqüência os jogadores de linha adentram na pancadaria e por fim membros da torcida organizada invadem a quadra. São José estava em casa, nem precisa dizer que os jogadores do Bragança apanharam como criança. O 7 vai dar a bunda apanhou de quatro ao mesmo tempo, fugiu sem controle, entrou por uma portinhola e continuou apanhando, saiu depois de uns 10 minutos com cara de ovo, tomando água e fingindo nada. Nessa hora eu mesma quis ir dar uns sopapos na cara dele. Dar a bunda não se diz, amigo.
O goleiro do Braga teve nariz rachado por um gordinho faz-tudo do São José, mano a mano. Porém o mesmo gordinho, depois de tudo mais calmo, trouxe gelo e carregou a maca com o goleiro sangrando em cima.
Enquanto tudo isso acontecia, dois policias assistiam do canto VIP e nada fizeram. Depois de uns quinze minutos chegou o reforço, de bicicleta, e começou a olhar feio pra torcida. Os jogadores já estavam nos vestiários. O narrador pedia calma. Peça calma pra eles, eu fiquei sentada e nada fiz, bem que quis.
O Braga não quis voltar em quadra e terminar o jogo, faltavam três minutos e o São José com o placar de 4x3 foi declarado campeão.
Nem esperei a comemoração, fui comer espetinho de gato na porta do ginásio.
Não sou a favor de violência. Porém entendi a cabeçada do Zidane, entendi a porrada no camisa 7 e acho que posso dizer que meu Sábado foi completo: por R$ 2,00 assisti futebol, boxe e hipocrisia.

O caso do cabelo

Começo com duas afirmações: todo mundo pode se transformar num psicopata, até você. Não existe livre arbítrio, existem reações hormonais.
Estou falando de amor, paixão, libido, sexo e afins.
Conheço pessoas extremamente normais, ou eram, acordavam e labutavam, conversavam, viviam num mundo socialmente aceito por todos. Até que...
D era uma menina linda, olhos vivos, cabelo que brilhavam a luz do sol e da lua, inteligente, fazia amigos com facilidade e tinha amigos que a adoravam. Até que um dia conversou até de madrugada com G, começou aí uma paixão louca. Eu não conseguia mais encontrar D, ela sempre estava trancada no quarto com G. Quando os dois estavam conosco, eram só deles, de mais ninguém, riam de suas próprias piadas e riam mais ainda das piadas um do outro, era exaustivo e um tanto quanto admirável. Eu queria ter aquilo, aquela ligação, invejava a troca de olhares e carícias, admirava o fato de ela, já bonita, ter ficado sem intervenções cirúrgicas maravilhosa!
Numa bela tarde de Domingo G entrou em casa e disse a todos, morávamos em 10: acabou! Simples e claro.
Bela tarde de Domingo era aquela.
Horas mais tarde, D me liga e diz que precisa conversar.
- Estou indo aí, respondi prontamente.
- Não precisa, estou aqui na frente.
Já saí com um pouco de medo, não sei bem de que, e lá estava ela, ou o que costumava ser ela. Agora ela estava sentada na sarjeta, sem figuras de linguagem, fumando um cigarro, com se fosse o último e descabelada.
Chorava copiosamente, não conseguia falar, assim que me viu, chorou mais, acho que meu olhar entregava que e já sabia da decisão de G.
Daquele momento em diante tudo passou muito rápido. Nesse dia mesmo ela entrou, eu abri a porta, o que fazer? (segundo G, eu deveria ter deixado a porta fechada). Foi até o quarto de G com uma faca e tentou se matar. Gritava do fundo da alma que iria tirar a própria vida ali mesmo. Eu não estava no quarto, estava na sala, escutando. Senti um alívio egoísta quando a gritaria cessou.
No outro dia o telefone não parava de tocar, ninguém atendeu a pedido de G, era ela na porta querendo entrar. Foi embora. Passados quinze minutos o telefone toca e um desconhecido chama por mim, me explica que tem uma moça na casa dele, acabará de bater o carro, foi reto numa curva, estava bem, mas pedia por mim. Fui até lá, em pânico, entrei na casa do desconhecido e lá estava ela, um trapo de gente, suja, sentada na cozinha de alguém que ela nunca virá, chorando, o rosto estava coberto pelos cabelos, numa pasta de lágrimas e catarro líquido, aquele que quem já chorou de amor conhece.
Noutro dia, voltando a pé pra casa, um carro, outro, não o mesmo, passa voando por uma ruazinha, mas a motorista era ela. Apertei o passo em direção a minha casa, sabia que ela iria pra lá e mais uma vez em pânico, corri, pensando em Roma.
Nesse dia ela conseguiu falar, ter uma dita linha de raciocínio, me explicou porque G tinha que voltar pra ela. Fiquei calada, escutando. Não tinha o que dizer, nada do que ela falava justificava tudo aquilo, mas eu entendi seu desespero, apenas lhe dei um rolo de papel higiênico e passava a mão nos cabelos dela, tão lindos um dia, hoje sujos e embaraçados.
D trancou a faculdade e mudou de cidade, foi embora não só da vida de G, mas de todos. Mas foi embora pra cidade natal de G, e alugou um apartamento no prédio do irmão de G. Muito tempo se passou e hoje G e D são amigos novamente, mas sempre me pergunto até quando ela conseguirá segurar a fera dentro dela.
Sempre que passei perto de ser uma psicopata, me lembro do cabelo de D, mas isso é outra história.

Até que a filosofia de bar nos separe

Homens, o que dizer deles que não pareça feminista demais ou machista demais? A verdade.
Outro dia um velho amigo e eu sentamos num bar, papo solto, ele irá se casar em breve, dali uma semana, perguntei: mas você é feliz com ela? A resposta veio sem pensar:
- Depois de tanto tempo era o que tinha que ser feito.
Como assim? Ele me explicou que sente a idade, que o amor não existe, que não tem mais idade para baladas ou até mesmo para começar tudo de novo.
Outro amigo, vai se casar no final do ano. Já um pouco desiludida, repeti a pergunta. Respondeu-me com um sorriso que era não apenas feliz, mas muito feliz, está fazendo o correto para a felicidade própria, não se imagina em outro lugar senão ao lado da noiva. Fiquei mais que feliz, ainda existe felicidade a dois nesse mundo.
Porém, depois de algumas cervejas, uma morena dançava perto de nós. Aí a revelação da real natureza humana. Não aconteceu nada, mas na cabeça do meu amigo Kama Sutra foi revisto. Disse-me num tom tão cafajeste que me lembrou Nelson Rodrigues: queria come-la no meio da pista de dança. A futura esposa dele nem imagina quem ele é.
Antes desse dia, saí com outro amigo e sua esposa, casados há alguns anos, rimos muito, tomamos pouco, sintonia total. Lá pela madrugada a esposa embala num papo com uma fulana, meu amigo então chega perto de mim e confessa:
- Acho que vou largar minha mulher.
Como assim de novo? Por que? Vocês parecem tão felizes, aliais, no começo vocês brigavam tanto e de tempos pra cá é só felicidade. Ele me explicou que na verdade teve que viajar sozinho a trabalho e a sensação de ser sozinho, da liberdade tinha o deixado embriagado.
Resolvi escrever porque ontem tive a revelação final. Saí com outro amigo casado, feliz, com filhos e amando. Mas me confessou, não esqueceu uma antiga paixão e pra completar, o ciúme da mulher que antes não era ciumenta diminui cada vez mais à vontade de ser casado.
Cheguei na idade que antes eu lia a respeito e agora, sem ter noção, sem sentir, mas com essas histórias percebi que realmente cheguei. E com isso me pergunto se eu vou ter coragem de me casar e se existe casamento com amor. Casamento não a cerimônia, porque na cerimônia todos se amam, os dias seguintes que me intrigam.
Continuo com minhas investigações sobre a verdadeira natureza humana, mas de uma coisa eu já sei, tenho muito pra aprender sobre a vida, o universo e o casamento.