Por calendários perturbados da educação, ano passado fiquei no ócio, já no fim. Fui procurar o que fazer. A escola tinha que ir até um determinado endereço para coisas de escola das quais não entendo. O secretário iria ao tal lugar, fui junto, alias, fui com meu carro mesmo, um mil.
Tarefa de escola urbana é diferente que em escola rural. Logo umas oito da manhã, saímos. Dia bonito, paisagem perfeita, bucólico. Passamos por casa de jornalista de fofoca, médico famoso, assombrada. Estrada do Guaxindiba, saída por detrás do cemitério. Paramos no caminho para perguntar se estávamos certos (longa estrada), estávamos, seguimos.
Chegando lá, tinha uma baita descida depois de uma porteira tão falada branca. Olhei, analisei, perguntei para o secretário e fui. Fui, fui. Parei, ele fez o serviço dele e não voltei. Fiquei no meio da descida, agora subida.
O secretário não sabe dirigir, por isso fui junto, ele presisava de um motorista, mas um oficial, que soubesse pegar o barranco. Eu fiquei! Inconformada, longe de socorro, sem sinal no celular, tentei, coloquei tapete, desci e subi denovo, repetidamente, sem atropelar na ré o secretário que tentava empurrar e o carro mil teimava a voltar, e tentei, acelerei, o carro sambou, pneu patinou e eu subi.
Suando, rindo, subi, cheguei na estrada normal de terra. Veja bem, na noite anterior havia chovido pouco, mas forte. A sub estrada de terra, ficou molhada. Mas até aí, só mais um estrada de terra.
Dois dias depois, o secretário tinha que voltar na vizinha daquela casa que tínhamos ido. Um outro professor, instigado pela minha pseudo aventura, foi. Carro lotado, dois professores curiosos, o secretário e eu. Chegamos, descemos, fomos longe, mais do que da outra vez e ... subimos, travamos de leve, mas subimos.
Bom, vai ver que eu sou ruim de volante....
Morando aqui, ando conhecendo muita gente boa, inclusive de prosa: Messias, o faz tudo daqui de casa, é um. Vamos conversar que eu moro numa comunidade com mais três humanos, seis cahorros, três gatos, nove cagados, uma criação de lesmas e caramujos (com estufa para ovos e tudo), muitas galinhas e uma pá de visitante. Para manter em ordem, Shirley e Messias. E o Messias mora para os lado da tal estrada, depois da porteira, que tem uma descida, que depois vira subida que eu fiquei.
Café da tarde no Emílio, estava lá também o Zé, outro personagem que terá um post só pra ele. Papo solto, todos contando histórias, o Messias começa contar de uma tal descida/subida. Ele mesmo, nascido e criado na tal estrada, já tinha caído, esgorregado, com moto no barranco, a moto continuou na mão dele, ruim foi o chão deixou a roda e foi para as costas.
No batizado do neto do Emílio, mês passado, uma pajero não subiu nem a paú, precisou de quatro homens feitos pra tirar o carro de lá. E narrou mais umas histórias que eu mal escutei porque ria muito. Já sabia que era minha subida, confirmei com descrições da porteira, para direita sobe muito é o cemitério, para esquerda é a estrada que ...enfim, contei da minha aventura. O Messias elogiou. Emílio nem estava prestando atenção, concentrado na ópera que estava rolado de som de fundo, e o Zé disse que devia estar seco, ruim mesmo foi quando ele passou com o chão molhado de fusca turbinado, travou de leve, mas subiu.
Assim descobri como só um simples lugar que eu fui tem tantas histórias por trás, deixou assim de ser um mero ponto geográfico e se tornou parte da história de um monte de gente. Se o ponto fosse gente, ia se sentir importante.