domingo, 31 de maio de 2015

Só uma pergunta

Aí tem o Zé. Doze anos, bom aluno, esperto, educado e feliz. Não tem pai nem mãe. Criado pela tia que recolhe lixo. Quando penso em tudo que o Zé pode e não pode, meu estômago embrulha. Outro dia entrei no mercado local e ele estava trabalhando. Ele me viu, acenou. Fiquei feliz. Pensei que se lhe faltava algo, ele estava correndo atrás.
Ao sair, esbarrei em um grupo de alunos da mesma sala que o Zé indo jogar bola na praça.
Investimento em educação? Diminuição da maioridade penal?
Não me venha com seu discurso sem realidade, mundo cruel.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Todos iguais. Sem chefes.

Hoje arrumando a casa assisti, na verdade escutei, uma reportagem, que falava sobre as novas empresas que surgem a cada dia com mais freqüência onde não há um chefe. Na verdade são equipes auto gerenciáveis. 
Segue a reportagem e os especialistas e pessoas que trabalham nesse novo modelo de empresa explicam que a desigualdade de antes, chefe e empregado, a competitividade, aparece negativamente na produtividade.

Pensa bem ... Não seria a nova aparição do pensamento socialista?? New age socialismo? Neoempresasocialista?
Ou talvez a sociedade esta se desenvolvendo de uma forma que essa idéia de tudo junto, ninguém é de ninguém, não existe propriedade privada ou qualquer coisa do tipo esteja realmente acontecendo nas empresas! Capitalistas.

Confesso que minha cabeça explodiu. Já tinha ouvido falar dessas empresas, quem não?!

A reportagem ainda mostra uma cooperativa de lixo recicláveis e outra empresa estilo Google onde os funcionários fazem reuniões bebendo álcool. Jogando ... 

Percebi que elas estimulam pessoas felizes e humanizadas. Que saibam resolver problemas e críticas com diálogo e cara limpa. Profissionais. Sem coleguismos ou aspones.

Quer dizer, a nova forma de ganhar dinheiro é socialista? O capitalismo hoje pode englobar ou ser socialista?

Ou pior, gostaria mesmo de saber se não ... Imagine ... Comunista!

domingo, 20 de abril de 2014

Sobre Educação e Tatuagem

Faz um tempo que não escrevo no meu querido diário em primeira pessoa, minhas histórias.
Continuo gostando de shows de realidade, bastante. Assisto muito jornais, muitos. E reality shows.

Sobre comida, cachorros, plantas, casas, ecoloucos, zoológicos, pessoas, polícia, bolos, decoração, babás, saúde e bem estar, fotografia, aquários. Meus preferidos são os reality shows sobre selva: homem perdido na selva, homens perdidos, casais, pessoas que escaparam para contar. Adoro a parte do fazer fogo. Programas de esportes moldes reality shows então ... nossa ... Gosto de um que tem o título verdadeiro 'a vida que eu queria'.

São programas que escarram que vivemos em forma de zoológico e  que independente de qualquer critica, a audiência fez com que é isso que temos para hoje e eu adoro tirar o melhor. Enfim, aprendo com eles horrores sobre o ser humano.

No trabalho, sou professora do ensino fundamental e médio, e essa será a semana de conselho de classe. Onde a pergunta básica que devemos fazer é: como ensinar melhor e como aprender melhor. 

E olhe só... Assistindo um programa de tatuagens, onde tatuadores são analisados por suas tatuagens. Lembrei desse bendito conselho. 
O programa de realidade e tatuagens é temático, uma semana testam as texturas, na outra as linhas. Tem toda uma estrutura narrativa bem amarada. Um bom programa. E nessa competição pessoas são tatuadas. Muitas são ótimas tatuagens, afinal são escolhidos para competir os melhores. Mas algumas, tatuagens horríveis! Serio mesmo, H O R R Í V E I S!!! Todas as tatuagens são analisadas e os tatuadores criticados.

Mas fiquei pensando na pessoa que participou desse programa e ganhou meio segundo de fama (nem isso) e uma tatuagem horrível.

No conselho de classe faço de tudo para pai e aluno entenderem que eu não tenho uma varinha mágica, não consigo enfiar o conhecimento dentro da cabeça do aluno. Sou uma pessoa normal que sabe trabalhar, fazer, ensinar, corrigir, trabalhar, fazer, ensinar, corrigir, fazer. E ao contrário desse reality show, ninguém pode ser passivo, precisamos fazer juntos. Todos devemos participar de um movimento em busca do conhecimento. 
Se e quando alunos, pais e professores são omissos, as marcas, as tatuagens são permanentes e podem ser horríveis. 

Podemos dar um jeito sempre. Somos seres humanos em eterna construção e aprendizagem, mas a escola pode virar uma tatuagem horrível na vida.

E mesmo que todos vejam o erro, é preciso algo mais. Na nossa vida o programa não acaba e começa e outro. É preciso não apenas criticar e procurar os culpados. Não é preciso de uma mesa de júri procurando os erros, é preciso uma mesa composta por pessoas dispostas a fazer algo para que nosso corpo seja coberto por tatuagens que tenhamos orgulho. 


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Comida sempre será pasto

Sempre fico triste ao pensar que quem entende de comida hoje em dia tem que fazer faculdade.

Sim, sempre o estudo é preciso e ainda bem que existem faculdades que buscam pesquisar e validar conhecimentos novos e  populares. 

Mas fico com uma impressão que ninguém, inclusive eu, sabe cozinhar. 

Nem quero ir muito longe na história e discutir qualquer conceito, mas me parece que ontem começamos a construir muitas coisas e  terceriarizamos todos os setores, inclusive a comida. 

E não existe mais comer comida em casa.

Em casa se come pão com manteiga, macarrão e churrasco. Comida só em restaurantes por quilo, carrinhos de rua e, dependendo da renda, em restaurantes variados. O que também depende da localização geográfica.

E comer em casa?

Cheiro de casa onde a cozinha tem fogão ligado é diferente ... 

Cozinha do dia a dia. Difícil ou fácil, morando no buraco de minhoca, tive que aprender.



domingo, 8 de dezembro de 2013

Eu me organizando posso desorganizar

As desigualdades sempre me irritaram. Meu Buraco de Minhoca é uma lugar cheio de injustiças. 

E daí?

Daí que nada. As leis existem onde as pessoas querem que ela exista. E aqui as leis não são as escritas.
Na verdade, tudo o que acontece aqui, também acontece em qualquer parte do planeta, em qualquer cidade do universo. Só que aqui é pequeno e dentro de um vale, geograficamente estamos inseridos em uma grota de paredes altas. Portanto as histórias ecoam, reverberam e aparecem. Todos os poucos habitantes discutem. A vida de um é a vida de outro e a transformação de sociedade civilizada cheia de leis  em um caos ordenado, onde todos cuidam da vida de todos e a necessidade das leis se defez. Não por imposição. Mas pela naturalidade das discussões e da vivência, que afastam o fiel cidadão da lei.

Na verdade, sempre quis continuar estudando. Achei que tinha parado. Parei com o estudo das serpentes. Hoje, estudo comportamento humano. 

Como ele pode mudar tão rápido? 
Qual a capacidade do ser humano em adaptar-se a situações tão diferentes?
Até onde vai a imaginação humana?
Posso satisfazer todas as minhas vontades e não pensar no outro?
Quanta mentira posso contar até que descubram a verdade?
Como tantas pessoas e mentiras são necessários para manipular uma pessoa?
Quanto eu posso fingir que sei até descobrirem que nada sei?

E a minha preferida:

Por quanto tempo uma pessoa pode cuidar da vida dos outros e não da sua própria?


São perguntas que diariamente ecoam em minha cabeça vendo ações de outros.
Observo. 
Penso.

E tento levar minha vida, também com as minhas leis. 

Lembrei da religião de um mandamento do meu amigo: não faça para/com o outro o que você não quer para você.

 


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Re volta


Hoje muitas coisas aconteceram em minha vida pessoal, profissional, convencional e extraordinária.
Sem usar nome, pessoas ou lugares. Hoje cheguei a conclusão que a vida nunca irá me dar nada. Nada. Terei que batalhar por cada grão que um dia eu queira chamar de meu. E além de não me dar nada, em alguns momentos a vida, pessoas e ocasiões, irão lhe tirar tirar tudo ...

Mas eu cresci com filmes anos 80. Obrigada mãe.
E aprendi, com o Rock Balboa, que a vida não é a respeito de quando você aguenta bater, mas sobre quanto você aguenta apanhar.

Filme dos anos 80 me ensinaram que alguém tem que fazer algo a respeito dos problemas. Alguns acham que isso é heroísmo.

Eu acho que se tem algo para ser feito, é preciso ser feito.

Se existe injustiça, não sou eu que trarei a Justiça, mas irei procurar todos os meios para que a Justiça se faça por todos.

Ficção. Fantasia. Filme ruim. Gosto é gosto.

A vida imita a arte e seguindo a saga, existem os mensageiros.

Essa me encontrou hoje cedo. Considerei um aviso.



domingo, 27 de outubro de 2013

Horário de Verão

Todo mundo reclama do Horário de Verão. Muito cansaço e sono desregulado. Eu sempre amei o Horário de Verão. Na verdade, antes de começar eu sempre acho que estou perdendo uma hora de sol. O sol estava nascendo 5 e meia da manhã!! Acordava com a gritaria dos passarinhos. Hoje moro em uma roça, mas na cidade o único bicho que sobrevive são os pássaros, e todos os pássaros vespertinos não dependem de relógios de parede. O relógio é o Sol. Como o Sol acorda mais cedo na primavera e no verão, a cantoria começa sempre cedo. E eu também sou vespertina. Acordava, via a hora e voltava a dormir. Mas com os pássaros gritando pela janela, ficava um sentimento de estar perdendo algum babado que esta acontecendo ali no quintal. Aí começa o Horário de Verão e tudo se acerta. O Sol nasce, os pássaros cantam, o relógio toca e eu acordo. Tomo um banho e vou pro quintal estender roupa no varal. Porque cedo não chove mas toda tarde arma tempestade.